Em poucos momentos, como neste tempo que vivemos, terá sido tão importante assinalar o Dia Internacional da Paz – proclamado em 1981 pelas Nações Unidas –, dadas as múltiplas e graves ameaças à paz com que os povos, com que a Humanidade está actualmente confrontada.

É impossível não constatar o incremento do militarismo, da corrida a novas e mais sofisticadas e destruidoras armas, incluindo nucleares, da instalação de novas forças e meios militares, que os Estados Unidos e a NATO estão a promover na Europa e, um pouco, por todo o Mundo – países que, só por si, representam já cerca de metade das despesas militares no mundo.

As inúmeras operações de ingerência e de desestabilização contra Estados soberanos, as guerras de agressão e ocupação, sucedem-se em vários pontos do globo, seja no Médio Oriente, na Ásia Central ou em África, mas também na Europa – Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Iémene, Ucrânia... são palavras que entraram no quotidiano das nossas vidas e que representam nestes países morte, sofrimento e destruição para milhões e milhões de seres humanos.

Ingerências e guerras que, impossível não constatar, têm em comum na sua origem, a acção dos EUA, da NATO e seus aliados. Ingerência e guerra com, que afinal, procuram assegurar o controlo geo-estratégico de importantes regiões e das principais fontes de matérias-primas, nomeadamente o petróleo, e conter ou destruir um qualquer Estado, um qualquer país que considerem ser um obstáculo aos seus intentos.

A impressionante e dramática vaga de refugiados – a maior desde a Segunda Guerra Mundial – provocada pelas várias guerras de agressão levadas a cabo particularmente na Síria, no Iraque, na Líbia e no Afeganistão, aí está a denunciar o carácter profundamente desumano e violador dos mais fundamentais direitos humanos destas operações militares de agressão, de guerra, a seu tempo apresentadas como «humanitárias».

É também preocupante a contínua e agravada tensão contra a Federação Russa e contra a China como componente desta escalada belicista, bem patente na concentração de forças da NATO no Leste da Europa e na instalação dos sistemas «anti-míssil» na Europa e na Península da Coreia, na proliferação de bases e instalações militares e deslocação de forças militares dos Estados Unidos para o Pacífico.

Eis alguns dos traços mais preocupantes que marcam a actual situação internacional, a par do crescimento da pobreza e das desigualdades em numerosos países do mundo, onde milhões e milhões de crianças, jovens, mulheres e homens se vêem privados do acesso aos seus direitos, ao direito a uma vida digna.

Neste Dia Internacional da Paz, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma o seu apelo a todos quantos sinceramente defendam a Paz, para que se unam em torno dos princípios proclamados na Carta das Nações Unidas e na Constituição da República Portuguesa.

Princípios que têm como valores essenciais a defesa da soberania e independência nacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da cooperação entre países em prol da emancipação e do progresso da Humanidade.

Princípios presentes na aspiração dos povos ao fim de todas as formas de colonialismo e de dominação nacional, no desarmamento, na dissolução dos blocos político-militares no reconhecimento do direito dos povos à autodeterminação.

Princípios que urge tornar realidade como a fraternidade, a solidariedade, a cooperação.

É a recuperação e o exercício destes valores nas relações internacionais que abrirá o caminho à paz, o caminho pelo qual os povos e a Humanidade anseiam e necessitam.

É em prol destes princípios, pelos quais norteia desde sempre a sua actividade, que o CPPC continuará a intervir, contribuindo para alargar a unidade e a convergência em Portugal e a nível internacional, apelando a todos quantos neles se revêm para darem mais força à urgente luta pela paz, participando nas acções do CPPC e, se assim o entenderem, juntarem-se ao movimento da paz.

Apelando à participação nas iniciativas que evocam o Dia Internacional da Paz, o CPPC reafirma que a paz interessa a todos e que pela defesa da causa da paz todos não somos demais!