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A Organização das Nações Unidas deliberou reconhecer 5 de Abril como O DIA INTERNACIONAL DO DESPORTO PARA O DESENVOLVIMENTO E A PAZ.

Em Portugal, por iniciativa do Desportivo Operário do Rangel - Amadora – realizou-se, nesse dia, um Colóquio-Debate para o qual foi convidado o Conselho Português para a Paz e Cooperação, que esteve representado por Carlos Carvalho, membro da Direcção Nacional.

O painel integrava ainda a Plataforma das ONG para o Desenvolvimento, o Comité Paralímpico de Portugal e o Orgão Coordenador do Plano Nacional da Ética Desportiva.

Uma iniciativa com muito interesse em que as causas da paz e da cooperação foram por todos reconhecidas como valor que importa defender e promover. O desporto assume, como reconhece a ONU, um papel relevante como mensageiro da Paz entre os povos.

O CPPC manifesta à Organização Promotora, Desportivo Operário do Rangel, o seu apreço pelo convite e, a todas as organizações e entidades representadas, a sua disponibilidade para participar em iniciativas conjuntas que visem promover os valores da paz, da solidariedade e da cooperação.

A intervenção de Carlos Carvalho:

Desporto: Mensageiro da Paz entre os Povos.

Exmo. Senhor/a Vereadora/o da Câmara Municipal da Amadora,
Exmo. Sr. Presidente do Desportivo Operário do Rangel,
Exmo. Sr. Representante da Plataforma Portuguesa das ONGD
Exmo. Sr. Presidente do Comité Paralímpico de Portugal
Exmo. Sr. Coordenador do Plano Nacional da Ética Desportiva

Minhas Senhoras, Meus Senhores.

Em nome da Direcção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação, os nossos melhores cumprimentos.

Quero, antes de mais, manifestar o nosso apreço pelo convite do Sr. Presidente do Desportivo Operário do Rangel para nos associarmos e participarmos nesta iniciativa comemorativa do DIA INTERNACIONAL DO DESPORTO PARA O DESENVOLVIMENTO E A PAZ.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação, Organização Não Governamental mensageira da Paz das Nações Unidas, desenvolve a sua actividade em prol da paz, da solidariedade e da cooperação entre os Povos, alicerçada nos valores da Constituição da República Portuguesa, da Carta da Organização das Nações Unidas, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, entre outros.

Nos seus princípios programáticos, o CPPC considera que a luta pela paz é um contributo decisivo para construir um mundo de progresso e justiça social, para o desenvolvimento de uma relação sustentável entre as comunidades humanas e a natureza. Que o anseio e o direito dos povos à paz, consubstanciam-se na concretização, entre outros, do direito ao bem-estar, ao lazer e à recreação, a um ambiente saudável e a uma relação equilibrada com a natureza. É evidente que lazer e recreação incluem as actividades desportivas promovidas, não só pelos grandes clubes, mas, sobretudo, pelos clubes de bairro, de empresa, de “amigos”. Estamos num Município, a Amadora, com largas tradições nesta matéria.

No ano em que se comemoram os 40 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974 é oportuno que refira o art.º 79 da Constituição da República Portuguesa:

1) Todos têm o direito à cultura física e ao desporto.

2) Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.

Desporto: mensageiro da paz entre os povos, é uma afirmação que requere ser fundamentada, tanto mais que, por vezes, aparece como factor potencializador de rivalidades inter-regionais, de promoção de regionalismos ou, mesmo, de afirmações chauvinistas ou nacionalistas.

Não vou entrar em considerações antropológicas, tais como saber se o homo ludens deveria ser uma classificação da evolução humana, tal como o homo faber ou o homo sapiens, mas o certo é que o desporto, enquanto actividade lúdica, sempre desempenhou um papel importante nas sociedades.

Estudos permitem afirmar que nas mais diversas civilizações antigas – Aztecas, Mais, Incas, Orientais, Europeias ou Africanas – jogos foram inventados e organizavam-se competições que não eram muito diferentes das que Pierre de Coubertain refere na Carta da Reforma Desportiva que levaram à criação dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, recuperando, assim, a tradição de organizar periodicamente jogos entre as diversas cidades-estado do mundo helénico.

O facto da realização das Olimpíadas da Grécia suspender as hostilidades entre as cidades – estado demonstra o papel do desporto, organizado em honra dos deuses, como mensageiro da paz.

Num estudo recente, 2011, “Desporto, poder e relações internacionais” o académico brasileiro Wanderley de Vasconcelos parte da premissa de que o desporto favorece e fortalece os vínculos de aproximação dos povos e a comunhão de afinidades, que conduzem à conquista de simpatias, passando estas para as instâncias governamentais ou, melhor, dos estados.

A ONU tem sido pioneira na abordagem deste tema. Para me referir só aos tempos mais recentes, em 2003, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou 2005 como o Ano Internacional do Desporto e da Educação Física. Considerando o Desporto um direito humano essencial para que as pessoas possam ter uma vida saudável.
O então assessor especial para o Desporto e Desenvolvimento da Paz da ONU, Adolf Ogi, refere que o desporto pode aproximar culturas e ajudar a resolver conflitos e por, isso, desenvolver uma cultura de paz e tolerância. Precisamos de propagar a mensagem de que o desporto transmite valores às jovens gerações.
O desporto é uma linguagem universal que pode aproximar povos quaisquer que sejam as suas origens, passado, crenças religiosas ou condições económicas. (Koffi Anan, Ex – Secretário geral da ONU.)

Na Assembleia Geral das Nações Unidas aquando da discussão da Resolução referida que viria a ser aprovada, representantes de Estados como China, Chipre, Cuba, Estados Unidos, Egipto entre muitos outros, sublinharam que os desportos, mais especificamente os Jogos Olímpicos, são um dos poucos acontecimentos verdadeiramente globais e apresentavam à comunidade internacional uma oportunidade extraordinária para concentrar a atenção do mundo e utilizar a boa vontade inspirada pelos jogos, para a construção de um mundo mais harmonioso e pacífico, ressaltando, ainda, referências ao poder do desporto para despertar na opinião pública mundial a consciência e os parâmetros de paz, cultura, humanismo e respeito pelos princípios éticos universais. Sendo, portanto, um símbolo da capacidade humana de alcançar a paz.

Também Portugal e os restantes Estados que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, assinaram em 1995, uma Carta do Desporto dos Países de Língua Portuguesa de que ressalvo:

“ Sublinhando a importância para a paz, a aproximação entre os povos e a estabilização das sociedades de cooperação nacional e internacional entre as organizações governamentais e não-governamentais relacionadas com o desporto;

Resolve aprovar a presente Carta, com o objectivo de colocar o desporto, nos seus países, ao serviço do desenvolvimento humano e da melhoria das suas condições de vida e de reforçar os laços históricos existentes entre os seus povos.”

Com interesse me parece ser, também, o facto de diversos estabelecimentos de Ensino Superior, de nível internacional, tenham criado Licenciaturas e Mestrados com a designação elucidativas de “ A Paz sustentável através do Desporto” com a justificação de que ( cito) «A construção da paz, a promoção da paz e da educação para a paz são esforços de longo prazo e multifacetado e que o desporto representa uma resposta adequada a múltiplas exigências, uma vez que é uma linguagem universal baseada num conjunto de regras. O desporto pode ser usado como um catalisador para o diálogo, a fraternidade e o respeito e permitir a paz a vários níveis».

Com refere o preâmbulo do regulamento da Organização Internacional para a Paz pelo Desporto – A Paz e Desporto - fundada em 2007 pelo campeão mundial do Pentatlo Moderno, o francês Joel Bouzou, o conceito da paz sustentável implica não só a ausência de guerra, mas também a criação de uma estrutura social imbuída de valores que contribuam para a manutenção da paz- trabalho em equipa, fair play, disciplina, confiança mútua, diálogo, fraternidade.

Como podemos ver a relação entre Desporto e Paz é amplamente reconhecida.

Permitam-me, pois, terminar a minha intervenção, com a reafirmação, reforçada em tão doutos pareceres, que acabo de referir, de que o Conselho Português para a Paz e Cooperação considera, de facto, o Desporto como um mensageiro da Paz entre os Povos.

Muito obrigado pela vossa atenção.

Carlos Carvalho
Direcção Nacional do CPPC

Amadora, 5 de Abril de 2014