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Intervenção de Ilda Figueiredo:

Estimados Companheiros e Companheiras,

Em nome do Conselho Português para a Paz e Cooperação dirijo uma saudação calorosa a todos os que vieram até aqui, a este Concerto pela Paz.

Sabemos que o fizeram porque são amantes da Paz e estão preocupados com as ameaças à Paz em muitas regiões do mundo.

Sabemos que o fizeram por quererem também expressar a vossa indignação face às guerras de agressão e pretenderem afirmar a vossa solidariedade com os povos vítimas do colonialismo, de actos de ingerência externa e de conflitos armados, de injustiças e desigualdades sociais, de opressão, do desrespeito da sua soberania e independência nacionais.
Hoje de manhã, o Conselho Português para a Paz e Cooperação realizou a sua 25ª Assembleia da Paz com o lema "Defender a paz, garantir o futuro" onde reafirmou a sua vontade de reforçar o movimento da paz e desenvolver a sua acção na defesa da Constituição da República Portuguesa, na luta contra a guerra e o militarismo e pela defesa da paz, da solidariedade e cooperação entre todos os povos do Mundo.

Por isso, aqui reafirmamos a nossa solidariedade ao povo palestino, como o fizemos, no Verão passado, em diversas cidades de Portugal, quando Israel, mais uma vez, bombardeou a Palestina, afirmando: Palestina vencerá!

Por isso, aqui reafirmamos o apoio à luta pela autodeterminação e soberania dos povos, designadamente do direito do povo saharaui à sua pátria livre e independente.
Por isso, aqui reafirmamos também o nosso protesto contra o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba e exigimos que se lhe ponha cobro, respeitando as decisões da Assembleia Geral da ONU, reafirmando a solidariedade com os povos da América Latina e das Caraíbas, nomeadamente o da Venezuela.

Por isso, aqui reafirmamos a luta pela libertação dos cinco patriotas cubanos, exigindo a libertação dos três patriotas que ainda continuam presos nas cadeias dos EUA.
Por isso, aqui denunciamos as agressões que prosseguem no Médio Oriente e em África, reafirmando a solidariedade com os povos que sofrem as consequências da crescente agressividade das grandes potências ocidentais pelo controlo das riquezas naturais e de posições geoestratégicas, procurando submeter os povos aos seus interesses.

Por isso, aqui defendemos que Portugal deixe de participar na ingerência e na agressão a outros povos e realize uma política externa em defesa da paz, consentânea com os valores de Abril consagrados na Constituição da República Portuguesa, no respeito dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os povos para a emancipação e o progresso da Humanidade.

Como a Revolução de Abril mostrou e a situação actual continua a salientar, a luta em defesa da independência e soberania de Portugal, pela não participação de Portugal das guerras da NATO e pela dissolução deste bloco político-militar, representa uma importante contribuição à luta dos povos de todo o mundo contra a barbárie da guerra.

Como a situação nacional e internacional nos está a demonstrar, aqueles que promovem a guerra são os mesmos que promovem a degradação das condições de vida dos povos.

Não esquecemos que a paz representa igualmente a garantia da liberdade, da democracia, dos direitos – do direito à alimentação, à saúde, à habitação, à educação, ao emprego, à protecção social, à cultura, aos tempos livres.

Por isso aqui fica a nossa saudação aos trabalhadores portugueses e à CGTP-IN que hoje, no Porto, estão a iniciar a Marcha contra a Pobreza e o Desemprego.

É com grande confiança e com plena consciência da justeza da causa da paz que aqui estamos neste Concerto, porque é tempo de proclamar bem alto a nossa oposição à guerra com o seu rasto de destruição e barbárie.

Queremos a Paz.

Agradecemos a todos os que aceitaram trabalhar connosco para realizar este Concerto pela Paz: os artistas, os técnicos, as Câmaras Municipais de Lisboa e de Loures e os seus trabalhadores, os aderentes e amigos do Conselho Português para a Paz e Cooperação, e este público generoso que veio até aqui manifestar de que está do lado da Paz e da solidariedade com todos os que lutam pela Paz. Bem hajam.

Como sempre dizemos no CPPC, para defender a Paz, todos não somos demais.