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A Ciência nas nossas vidas
Talvez nunca como hoje se faça sentir nas nossas vidas a presença da Ciência e das suas conquistas. Essa realidade justifica da parte de todos nós, redobrada atenção à forma como o conhecimento novo é aplicado, com que fins e em benefício de quem. Às mulheres e homens que trabalham em Ciência, os trabalhadores científicos, cabe a particular responsabilidade de agir no seio da sociedade em que se integram mas também como cidadãos do mundo, para que as aplicações do conhecimento científico sejam postas ao serviço do progresso social, que compreende o desenvolvimento económico e cultural, no quadro de uma utilização sustentável dos recursos naturais do planeta. Objectivos que exigem a abolição da guerra nas relações entre estados e nações e o fim de conflitos internos, com o estabelecimento de uma Paz duradoura. Não se trata de uma escolha entre alternativas, trata-se da sobrevivência da humanidade.
O Sistema das Nações Unidas tem aqui um papel crucial a desempenhar. Importa sublinhá-lo em vésperas da data de 10 de Novembro, que se aproxima, dia declarado pela UNESCO como Dia Mundial da Ciência para a Paz e o Desenvolvimento, celebrado nesta data desde 2002. Este ano, marcado por uma pandemia que a todos atinge, de uma ou outra forma, o tema escolhido para o Dia Mundial é “Ciência para a Sociedade e com a Sociedade”. A escolha do tema reflecte a consciência de que na luta contra a pandemia que hoje travamos é crítico o papel da Ciência. Mas ao mesmo tempo sublinha que essa luta é uma luta de todos e só com todos a Ciência poderá vencê-la.
Ao colocar a questão nestes termos é posta a tónica não apenas na importância do papel da Ciência na sociedade mas também na necessidade de a envolver na definição dos caminhos da Ciência, o que pressupõe dedicar especial atenção à divulgação dos avanços do conhecimento científico junto do grande público; ao debate com os cidadãos de questões sensíveis e por vezes controversas; e, naturalmente, à formação cuidada dos jovens desenvolvendo neles o espírito critico e o sentido da aplicação do método científico no encontro com a sociedade e a natureza.
Nos nossos dias, graças à evolução dos meios técnicos de transporte e de comunicação, as ligações entre países, regiões, continentes, estabeleceram-se a um nível sem precedentes, facilitando a mobilidade de pessoas e bens. Esta realidade é responsável pela rápida propagação da pandemia que, ao contrário do que aconteceu no passado com outras situações pandémicas, hoje se estende a todo planeta, afligindo em maior ou menor grau, o conjunto da população.
A sua natureza e consequências deram-lhe visibilidade geral, ainda que aqui ou ali se duvide da sua origem e perigosidade ou mesmo da sua existência real como novo fenómeno pandémico. Aqui entra de novo a Ciência que é posta à prova ao procurar esclarecer e afirmar as suas razões.
Não é um fenómeno novo mas é particularmente perturbador quando se está perante questões de vida ou de morte, imediatas.
Observadores atentos, leigos, mas também cientistas conceituados, vêm alertando para um perigoso descrédito da Ciência, com diversas origens. O caso assume proporções mais sérias quando parte de responsáveis políticos que, aparentemente, julgam saber do que falam. Neste mesmo quadro, assiste-se a uma sensível perda de influência de órgãos oficiais de consultadoria científica por vezes onde não se esperaria que isso acontecesse. Uma citação que já se tornou exemplar é a frase de um ministro sénior do governo britânico actual que, referindo-se a académicos e outros especialistas, afirmou: “A população deste país está farta de peritos”. Por regra são razões políticas que estão por detrás de tais posturas como no caso da demissão do director do Instituto Nacional da Investigação Espacial do Brasil que afirmara ter-se verificado uma aceleração da desflorestação da Amazónia.
A iniciativa da UNESCO insere-se, naturalmente, na chamada “Agenda 2030” das Nações Unidas, assente em 17 “Objectivos de Desenvolvimento Sustentável” que importa alcançar. A saúde é um deles, tal como a erradicação da fome e da pobreza, o combate às alterações climáticas, a Paz e a justiça. Nenhum deles poderá ser alcançado sem uma activa contribuição da Ciência numa acção conjunta e solidária de trabalhadores científicos e da sociedade em geral.
Lisboa, 30 de Outubro de 2020
Frederico Carvalho
Membro da Presidência do CPPC